Está em todos os noticiários de hoje. O general Raimundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado para o Supremo Tribunal Militar (STM) afirma em outra palavras que os homossexuais não servem para o exército.
Mas não servem por quê? Ora, nós não somos inocentes, sabemos que por detrás de um discurso com base teórica, existe na realidade um preconceito fundado na mais arcaica de todas as concepções. A de que a orientação sexual possa interferir na capacidade intelectual prejudicando a sua liderança.
Caso fosse assim, não haveria nenhum líder homossexual ou alguma pessoa proeminente nos vários campos de atuação humana.
O que dizer de Joana D'arc? Harvey Milk? Revdº Troy Perry? E tantos e tantas líderes que de forma anônima atuaram e atuam para a construção de uma sociedade plural e fraterna.
Quando o general cita a situação de guerra indicando que os homossexuais não suportam a pressão e que deveriam buscar outra "atividade profissional", ele se esquece que não existe pressão maior do que viver acuado, administrando duas vidas. Como diria Pessoa: "temos todos que vivemos, uma vida que é vivida e outra que é pensada."
Na realidade, o general demonstra um total desconhecimento sobre a homossexualidade, mesmo porque estando ele sobre suas botas e por detrás de seu uniforme seria impossível compreender sem antes sair do seu lugar e ir para a janela observar o mundo.
O grande problema das instituições históricas é que de tão velhas que não conseguem enxergar um palmo à frente do nariz!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
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É de se esperar que o general Raymundo Nonato nunca tenha ouvido falar em Alexandre o Grande. Aquele general da Macedônia que, sempre acompanhado de seu amante Heféstion, aos 30 anos de idade já tinha conquistado o maior e mais rico império do planeta comandando seu fabuloso e heróico exército. O general certamente também deve desconhecer a história de Esparta, cidade-estado grega que até hoje serve de inspiração e referência de formação militar. Em Esparta, imaginem, não só a homossexualidade não era reprimida como, na verdade, proibia aos homens relações heterossexuais antes dos 30 anos de idade. Só depois dessa idade os soldados espartanos poderiam decidir se iriam se relacionar sexual e afetivamente com homens ou mulheres. A homossexualidade em nada atrapalhava as questões de autoridade e comando do exército mais fabuloso no mundo antigo. É claro que não me espanta a mentalidade estreita do Ministro do STM em um país como o Brasil que padece com um nível de educação e cultura compatíveis com os da África subsaariana. A homofobia explica-se clinicamente como resultado da ignorância, do fanatismo religioso e/ou de uma sexualidade mal resolvida (homossexualidade egodistônica). As palavras do general nos levam a crer que nosso exército é composto por homens sexualmente inseguros, psicologicamente mal resolvidos, por isso então, frágeis. Incapazes de conviver com companheiros ou obedecer ordens de oficiais superiores caso esses fossem homossexuais. Então, numa linha bastante parecida com a do presidente Mahmoud Ahmadinejad - que garante que no Irã não existem homossexuais -, o Ministro afirma que o exército Brasileiro funciona porque também não tem homossexuais. Lamentável que o governo do Presidente Lula seja cúmplice na manutenção deste retrocesso.
ResponderExcluirEm nenhum momento ouvi qualquer pronunciamento do General contra os homossexuais.Aliás, ele até destacou não ser contra a opção sexual de quem quer que seja. Eu sei que, pra sociedade, é difícil entender as palavras do general. Não é questão de termos militares "mal" resolvidos sexualmente e sim de não termos uma estrutura capaz de recebê-los. Imaginem que as mulheres puderam ter a primeira oportunidade de seguir uma carreira ha pouco mais de 20 anos. Nossa vida requer um pouco mais de cumplicidade e proximidade do qualquer outra profissão. Um simples banho pode ser motivo de constrangimento tanto para o militar homossexual quanto para o heterossexual, ou será que também teríamos que distinguir os banheiros (Hetero - Homo)???...seria um preconceito maior ainda...então, pessoal...pensem nisso como não como preconceito da parte dos militares, mesmo porque todos os seres humanos devem ser tratados com dignidade e da partes dos militares também não poderia ser diferente. Respeitamos todos os cidadãos, mas a profissão militar não deve ser encarada como uma profissão comum. Obrigado!
ResponderExcluirVictor,
ResponderExcluirO general diz que a orientação sexual afeta a questão de comando, que “fatalmente a tropa não vai obedecer” [sic], e trabalha essa afirmação para justificar que o exército não é lugar para os homossexuais.
Isso é sim, uma postura preconceituosa, tacanha, homofóbica e que agride noções de ética e de cidadania.
Você, por outro lado, elabora a questão como sendo de despreparo das forças armadas. Como se fosse necessário preparo para que os militares aprendam regras fundamentais de civilidade.
Passa pela sua cabeça que, se homossexuais estivessem no exército, a caserna correria o risco de virar uma baderna, com heterossexuais sendo atacados nos banheiros (ou sentindo-se instigados a atacar sexualmente colegas sabidamente homossexuais). Se assim fosse, então realmente você teria razão. Há que se civilizar, que se domesticar os militares, que trazê-los para fora da pré-história no que tange a relações interpessoais que envolvam dignidade, disciplina e respeito mútuo.
Quero acreditar que um comportamento rigorosamente disciplinado seja fundamental nas forças armadas também do Brasil. E, portanto, passa a ser um grande contra-senso achar necessário anos de preparação para que os militares aprendam a respeitar colegas de diferentes orientações sexuais.
Mas vou lhe contar algo que certamente você desconhece. Existem hoje, como sempre existiram, milhares de homossexuais e bissexuais em nossas fileiras. Homens e mulheres que desempenham suas funções com bravura e distinção. E talvez tão poucos (ou ninguém) conheçam a natureza da orientação sexual dessas pessoas, simplesmente porque isso não faz a menor diferença. Como não faz diferença ser loiro ou moreno.
A sexualidade de uma pessoa só se manifesta durante suas relações afetivas e sexuais e o ambiente de trabalho, seja ele militar ou não, não é lugar para atividades românticas ou sexuais. E isso vale tanto para heterossexuais ou homossexuais.
Foi necessário mais de vinte anos para que os militares aprendessem a conviver com o sexo oposto no ambiente de trabalho?! Não acredito.
Acredito sim, que séculos foram necessários para que a sociedade brasileira (e também as forças armadas) evoluíssem da mentalidade que restringia a mulher aos trabalhos domésticos.
Posso entender que exista medo sim. Medo de um clima de tensão sexual que possa surgir. Tensão essa, importante dizer, que só surge entre pessoas que compartilham de orientação sexual compatível. Algo que pode acontecer com homens ou mulheres, héteros ou não. Algo que qualquer adulto devidamente maduro, e psicologicamente saudável, tem condições de lidar.
O que sempre fica patente em questões como essas é a enorme ignorância que ainda existe a respeito da sexualidade humana. De sua natureza e dinâmicas.
Acredite, os homossexuais não mordem. E o que não falta na história (antiga e recente) são exemplos de grandes líderes mundiais que foram ou que são homossexuais.